domingo, 23 de setembro de 2012




A história das papadas
A Associação de Restaurantes e Similares de Portugal (ARESP) anunciou aos Órgãos de Intoxicação Social (OIS) que encomendou um estudo à consultora PwC Portugal e à Sociedade de Advogados Espanha & Associados que faz o levantamento dos impactos reais gerados no sector pelo aumento do IVA de 13 para 21% na restauração, e que o vai entregar ao PM. No mesmo dia, o pantomineiro que há anos e anos todos os domingos num canal televisivo de referência faz umas habilidades de manipulação opinativa, apareceu agora, por detrás do cortinado do segredo do recente Conselho de Estado (CE), a tentar convencer os seus olhintes de que há um “médico” a tratar da saúde do País, e que dentro de poucos meses está garantido que vão aparecer os resultados positivos das “terapias” a que nos vem sujeitando. Ao mesmo tempo, os OIS “informavam” que o tal “médico” fez a sua apresentação/prelecção no CE usando pelo menos uma aplicação muito popular da Microsoft. Sei, por experiência própria do ponto de vista do utilizador, o fascínio que as micro-aplicações informáticas usadas pelo tal “médico” nos podem provocar, e por isso também sei que em segundos ou numa sua fracção, uma folha de Exel responde à alteração das variáveis, mas a folha não é inteligente, e como também não tem coração, um liberal radical socialmente insensível, nunca saberá criar um modelo que se aplique a uma sociedade que não aceita ser tratada como subdesenvolvida, descontando mesmo qualquer má intenção deliberada da parte do dito manipulador de modelos por conta doutrem. Ora, todos sabemos que num Hospital Central, o seu Director não sabe curar todas as doenças, e por vezes nem só uma, e em desespero muitos doentes acabam por abandonar a medicina dita tradicional e recorrem às terapeuticas alternativas. Todos nos lembramos da terapia tradicional que o actual PM na campanha eleitoral receitava aos seus eleitores para a doença do Estado, no que ao déficie dizia respeito – “apenas a eliminação das gorduras do Estado”!
O País está num momento de desespero, em que só as Famílias ricas, ou “bem situadas na vida” não foram atingidas pelo desemprego e pela imigração, e por isso é preciso exigir que os políticos ditos alternativos, iniciem um percurso de contestação rigorosa aos erros do modelismo criativo do PM e do seu querido Ministro das Finanças, colocando ao serviço do País pelo menos a capacidade de trabalho instalada na Assembleia da República paga pelos Portugueses, apresentando estudos e resultados como fez a ARESP.
Num discurso recente de abertura do ano lectivo o Reitor da Universidade de Coimbra (UC) reclamou do Governo a aplicação da chamada taxa Tobin, e ofereceu a colaboração da UC no desenho do modelo para sua rápida implementação, sugerindo que um taxa de 0,5% produziria uma receita semelhante aos 7% da TSU, canalizável directamente para a amortização da Dívida. Acreditamos que a UC, uma entidade estruturalmente isenta, também não se eximirá a ajudar qualquer Partido Político a, por exemplo, conferir o apuramento do resultado das recentes decisões económicas mais controversas, como é o caso do resultado líquido do aumento do IVA da restauração, isto é, o balanço entre o valor acrescido da receita arrecadada no sector e os custos para o País directos e indirectos das falências e dos consequentes desempregados. Oxalá o blá,blá,blá das acções de protesto obriguem a política a passar das moções às acções de apresentação de receitas alternativas sustentadas no rigôr da compreensão realista do nosso PIB.

NOTA : A papada, é uma zona do pescoço do porco com algumas finas camadas de carne magra, e com muito toucinho,
que sabe bem cortado em finas tirinhas e que tostadas ao lume num bocado de azeite, é o acompanhamento ideal para uma sopa de poejos, e talvez não reduza o défice de colesterol!

sábado, 22 de setembro de 2012

O estado da "crise"

 
Quando as “receitas” das sopas são escritas sem rigôr, e os condimentos vão sendo misturados a “olho”, o caldo mais tarde ou mais cedo fica entornado, embora apareça sempre algum cozinheiro a dizer que quer continuar a comer apenas porque gosta da côr do avental do cozinheiro Chefe. A tal “crise” que dizem estar inspirada por um filósofo Grego, e às vezes se ouve dizer que começou em 2008, parece que por causa de um tal Lheman qualquer coisa, tem para mim três predecessores, a Globalização, o Comércio Livre, e os interesses do Directório Franco-Alemão. Os últimos episódios das medidas gaspares, ditas para remediar as derrapagens da economia no seu todo, serão um dia exercícos de estudo nalguma Universidade livre, pois envolve ao mesmo tempo receitas desonestas e políticos anti-patriotas. Quem tenha trabalhado no sector financeiro, ou afim, devia fazer um esforço para reclamar dos comentadores da praça pública rigor intelectual na análise da situação económica do nosso País, em especial daqueles que dizem ter terapias alternativas para a cura do doente, conservando este na mesma “unidade hospitalar”. É preciso salientar que os Bancos tinham até Julho emprestado às empresas 109,4 mil milhões de euro e deste valor 10,1 mil milhões estão em incumprimento, e que uma enorme fatia deste financiamento tem contrapartidas em dívida ao exterior, alguma obtida junto do BCE à taxa de 1%, que não se compara com a dívida do Estado. Será que num País pequeno, com enormes desigualdades sociais, portanto com muita gente subsídio/dependente, a classe média pode engolir em sêco um “programa de sucesso” financiado em parte pelo BCE a taxas de usura quando o mesmo BCE está a construir uma nova sede em Frankfurt cujo custo estimado em 2005 era de 850 milhões de euro e o derrapanço de custos já vai em 40%? E os Portugueses que não acreditam no Governo depois deste ter falhado em todas as previsões económicas, acham que será compatível com seriedade a aceitação de estarem a ser “julgados” por uns tipos que são tão rigorosos nas avaliações alheias que permitem uma derrapagem de 40% nas obras de conservação da sua própria casa?

domingo, 2 de setembro de 2012




A “ LÓGICA DOS MERCADOS”

Nos últimos dias, as taxas de juros dos empréstimos aos Estados exigidas pelos “mercados” (cuja verdadeira face só é do conhecimento dos amigos de todas as “troikas”), baixaram substancialmente, e a pregunta que se coloca é, - porquê?

Se na Europa a recessão continua e nos Países resgatados ou semi/resgatados todos os indicadores económicos continuam a piorar mensalmente, sendo desnecessário dar disso exemplos numéricos, o que justifica a descida dos juros das dívidas soberanas?

Como pertenço ao clube dos 99,99…99% que não conhecem a identidade dos tais especuladores agiotas, esta sua súbita bonomia, conduz-me por mais uma vez a desconfiar da estratégia das “tropas invasoras” que desencadearam a III Guerra Mundial que determina todas as oscilações financeiras ao sabor dos seus interesses, e não vale a pena sermos ingénuos, ignorando as cumplicidades envolvidas neste processo de ocupação territorial e apropriação patrimonial; os percursos empresariais de quase toda a seita de gente que chegou a governante das Instituições e Governos Europeus têm uma matriz comum na teia de interesses que sempre sublimaram o poder financeiro, e um dos melhores exemplos é um dirigente durante 8 anos do Goldman Sachs Internacional, filial europeia do banco americano, António Borges, o acessor do PM Passos Coelho, e se este o foi buscar e o mantém depois das mais variadas críticas à sua escolha e aos seus recentes dislates, é incompreensível como algumas pessoas o podem continuar a classificar como uma pessoa séria, e até acham tratar-se de gente com quem se devem estabelecer compromissos alargados. 

Ninguém, uma década atrás, conseguira imaginar que o Governo Conservador Grego era capaz de contratar o Banco Goldman Sachs para o ajudar “técnicamente” a mascarar as contas públicas para que a Grécia pudesse aderir ao Euro, tirando partido de que o Eurostat era então uma criança a aprender a andar, e que nessa “operação” o dito Banco fez um adiantamento à Grécia de 2,3 mil milhões de euro, actualizado hoje em 5,2 mil milhões por força das taxas de juro usurárias. O resultado da mais profunda e diversificada especulação do Banco Americano sobre a Grécia e o Euro está à vista.

Mas, afinal qual é lógica não só deste “resgate” a que Portugal está a ser sujeito, como também da metodologia de aquisição ocasional da sua dívida soberana, quem sabe se com o Goldman Sachs por detrás? Nas críticas rasteiras à situação financeira de Portugal, aparece sempre a história do TGV Socrático, como o exemplo de um investimento de capital intensivo que o País não tinha meios de promover através das receitas correntes do PIB. O mesmo raciocínio, valeria para obras mais ou menos recentes como a Ponte sobre o Tejo, o Centro Cultural de Belém, a Ponte Vasco da Gama, os Estádios para o Euro (cujos críticos se resumiram na altura aos anti-futebol ou aos estrategas do combate político) as pontes sobre o Rio Douro ou os Metropolitanos de Lisboa e do Porto. Cada vez tenho mais a sensação de que, por um lado ninguém quer efectivamente tentar compreender, nem a lógica das dívidas soberanas que devem servir para financiar a longo prazo investimentos cuja fruição vai atravessar várias gerações nem as “bolhas”, e por outro haverá cada vez menos pessoas que parecem olhar para o lado e acreditar nas palavras do Governo de que a crise é passageira desde que a esmagadora maioria dos contribuintes esteja disposta a alombar com as consequências das medidas do acordo com a Troika, ao mesmo tempo que os Amigos do Governo vão fazendo as melhores negociatas de forma a garantir-lhes um futuro risonho, aconteça o que a contecer. 

Emitir dívida pública de curto prazo com as suas condições a serem renegociadas a cada seis meses com os juros a duplicar num ano não é suportável para ninguém; imagine-se um crédito pessoal para aquisição de carro próprio deixar de ser amortizado, por exemplo a 60 meses, através de uma prestação igual de capital e juros, passando o capital a vencer anualmente e o empréstimo e os respectivos juros a serem renegociados em cada anuidade. 

Ora, a crise é duradoura, como ainda recentemente o Deputado Europeu Vital Moreira avisou, referindo que «esta será a primeira vez em que os nossos filhos não têm a garantia de viver melhor do que nós. E isto é uma mudança terrível. A nossa ideia positiva, progressista, de que cada geração vive melhor do que a anterior vai ser contrariada, porque esta crise já vai em quatro anos e, não tenhamos dúvidas, não há atalhos para o fim da crise. Não há crises que durem sempre esta não vai ser excepção, não vai ser solucionada amanhã, nem depois de amanhã. As sociedades, podem tolerar níveis de desigualdade relativamente elevados, mas tal só acontece se houver a percepção de que o futuro, a curto prazo e a médio prazo, pode mudar, e de que há uma escala social ascendente, de que as pessoas, os nossos filhos, viverão melhor do que nós e de que o nosso emprego futuro pode ser melhor do que o anterior». Para Vital Moreira, este cenário está ausente da realidade actual, uma vez que esta crise «é, sobretudo, àcerca do emprego e da falta de perspectivas de emprego». 

Enquanto o planeta Terra não “explodir”, uma coisa é já certa, podem encontra-se por via da foto/satélite novos indícios da existências de Pirâmides ainda desconhecidas no desertos do Egipto, mas a extensão do deserto está bem determinada e é finita, e o mesmo se aplica numa outra escala ao nosso território; os territórios da Europa e a maioria das suas infraestruturas já são suficientes para alimentar e acolher os seus habitantes nas próximas décadas, e por isso é provável que não vá haver “crescimento” que inverta os índices de desemprego, e, antes pelo contrário, temo que se continuem sucessivamente a agravar. À nossa roda, os dólares dos petróleos e dos gases naturais vão continuar a ser “fabricados” a cada segundo, e se não vão poder ser esgotados em aquisição de mais “riqueza”, a sua aplicação agiota nas dívidas soberanas, através dos seus aplicadores, leia-se Bancos, vai continuar por nos “conquistar” a soberania, em definitivo. Para disfarçar os golpes a que estamos a ser sujeitos, o Ministro Gaspar, outro peão do mesmo “exército”, inventou a “fórmula” das incertezas, e não vai ser fácil desmascará-la contra uma cassete discursiva respaldada nas televisões controladas pelos Partidos do Governo. 

Como é totalmente irrealista “rasgar” o memorando assinado com a TroiKa, só uma batalha com forças pragmáticamente aliadas pode conduzir ao confronto com os que vendem a nossa soberania e o nosso futuro e o dos nossos filhos em troca de favores para eles e para os seus amigos. Uns anos atrás, todos pudemos ir tendo uma oportunidade para ver o filme “Os Homens do Presidente”, agora como assistimos, ao vivo, à rodagem dos “Amigos do Presidente”, saibamos daí extrair as devidas lições, para que num futuro muito próximo se inverta o caminho da pobreza a que a política actual nos está a conduzir!